De Pedra e Cal
Candidatura RTP · Acesso restrito
Password incorrecta
Área de candidatura
RTP — Área 5
Tema
Magazines com foco em temas nacionais (história, cultura, património, sociedade)
Formato
Magazine documental — série televisiva
Duração por episódio
30 minutos
Número de episódios
8
Língua original
Português europeu
Canal preferencial
RTP2 / RTP Play
Público-alvo
Adultos com interesse em história, cultura e identidade — público geral a partir dos 15 anos
Secções do Projeto
01 — Candidatura RTP
Este projecto nasceu de uma experiência muito concreta: a de passar diariamente por ruas cujos nomes e história desconhecemos por completo. Em contexto lisboeta, desconhecíamos quem foi Morais Soares, não sabíamos o que significava Forno do Tijolo, não fazíamos ideia de quem era Pascoal de Melo ou mesmo São Mamede. E ao falar com vizinhos e amigos, percebemos que esse desconhecimento era partilhado e que, ao mesmo tempo, havia uma curiosidade genuína, uma vontade de saber.
A toponímia é a história escrita de um país nas paredes das suas cidades. Cada rua, avenida, largo ou praça é um arquivo a céu aberto e há uma história por contar em cada esquina das localidades do nosso país.
Portugal tem uma relação singular com a sua toponímia. Preservamos camadas históricas no nome das nossas ruas: romanas, árabes, medievais, do período colonial, da República e do Estado Novo e pós-25 de abril. Essa riqueza é um bem cultural colectivo. Este programa propõe-se explorar esse bem de forma sistemática, criativa e televisivamente apelativa.
A intenção deste programa é ser um antídoto ao esquecimento, mas também ao tédio. A história não tem que ser aborrecida, muito menos ser ensinada com solenidade. Pode ser investigada com humor, contada com paixão, descoberta com espanto.
De Pedra e Cal quer ser o programa que faz as pessoas pararem em frente a uma placa de rua no dia seguinte à emissão e se questionarem: "e este nome, que história terá?"
02 — Candidatura RTP
A Rádio e Televisão de Portugal tem na sua história alguns dos melhores programas de divulgação cultural e histórica alguma vez produzidos em Portugal. De Pedra e Cal aspira a continuar essa tradição, mas com uma linguagem atualizada, um formato ágil e focado nos moradores como memória viva, e com a história em constante diálogo com o presente: mostrar a rua hoje, o que se lá passou. A toponímia é quase uma desculpa para falar das nossas cidades, de Portugal, de nós.
A RTP faz o que só a televisão pública pode fazer: investir em conteúdos culturais sem retorno imediato óbvio, contar histórias que mais ninguém conta e criar literacia histórica de forma leve e acessível.
Acreditamos que há aqui um programa que serve genuinamente o serviço público de televisão: que educa sem ser pedagógico, que entretém sem ser superficial, que valoriza a identidade cultural portuguesa sem ser nostálgico. Um programa que existe pois há coisas que a Wikipédia não conta, e que a televisão pública pode contar de forma única.
03 — Candidatura RTP
| Função | Nome |
|---|---|
| Argumento e Investigação | João Rosa Miranda Raquel Carrilho |
| Realização | Rui de Sá Macedo |
| Produção | Língua Acesa |
| Coordenação de Pós-produção | Raquel Carrilho |
| Tema Original | José Tornada / André Carvalho (a definir) |
| Apresentação | Hugo Van der Ding (a definir) |
04 — Candidatura RTP
Cada episódio começa com uma placa de rua e uma pergunta que qualquer pessoa pode fazer: "Quem foi o Almirante Reis?", "Porque é que há uma Rua do Salitre?", "Qual a história da Rua de Cedofeita?" e a "Rua do Quebra-Costas" ou o "Beco da Bicha"?
O apresentador é um curioso (não um professor), que investiga as origens toponímicas juntamente com o espectador.
A televisão vive de pessoas, cada uma com o seu ponto de vista. E é por isso que a premissa deste magazine televisivo assenta sobre a curiosidade do cidadão, de quem deu origem ao nome de ruas, avenidas e pracetas, e, claro, dos moradores.
A investigação passará por arquivos, por académicos, por locais históricos e testemunhos dos cidadãos que nelas habitam, trabalham ou passam diariamente.
| Bloco | Duração | Conteúdo |
|---|---|---|
| Abertura | 2' | O "ritual" da placa e a pergunta, seguida de um breve separador de abertura. |
| A história | 12' | Investigação: arquivo, breve entrevistas com especialista(s) e, pelo menos, um(a) local. |
| A rua hoje | 8' | Moradores, o bairro, o que ficou. |
| Ligação inesperada | 5' | Algo que conecta o passado ao presente de forma surpreendente. |
| Fecho | 3' | Sumário/recapitulação em jeito de resposta à pergunta inicial. "Teaser" para a próxima rua (no próximo). |
O "ritual" de abertura de modo a gerar reconhecimento imediato. Cada episódio abre sempre com o mesmo gesto: a câmara aproxima-se lentamente de uma placa toponímica, uma mão em enquadramento, e uma voz faz a pergunta.
Arquivo em diálogo com o presente: imagens de arquivo (fotografia histórica, documentos, mapas antigos) serão intercaladas com os locais hoje. As cidades portuguesas têm arquivos fotográficos riquíssimos, como a Biblioteca Nacional, Museus e Arquivos locais e Hemerotecas municipais.
A rua como personagem: mostrar a rua hoje, o que se passou lá, o que mudou. A toponímia é uma desculpa para falar das nossas cidades, de Portugal, de nós.
Moradores como memória viva: breves entrevistas a pessoas que vivem e/ou trabalham naquelas ruas há décadas. Por vezes sabem mais pormenores do que os historiadores.
Tipologia Animada: títulos, nomes e datas surgem como se fossem inscritos nas paredes da cidade.
Humor e leveza em topónimos absurdos, histórias insólitas, curiosidades com potencial cómico. A história, neste contexto, não deve ser sisuda.
O programa terá música original, com composição instrumental que combina instrumentos da tradição portuguesa (guitarra portuguesa, bandolim) com arranjos contemporâneos.
O tema principal será reconhecível em 3 segundos e adaptável a diferentes tempos consoante o bloco do episódio.
05 — Candidatura RTP
Enquanto "amostra" geral do programa, a temporada 1 cobre oito ruas de interesse histórico, cultural e/ou popular por oito cidades diferentes de Portugal continental. As seguintes temporadas focar-se-iam, respectivamente, em regiões do território nacional (exemplo: Norte, Algarve, Centro, Lisboa, Alentejo, Açores e Madeira).
Os temas abaixo são propostas concretas de desenvolvimento. A seleção final será feita com o realizador e a consultora histórica, podendo incluir ajustes à sequência.
| Ep. | Título | Arruamento | Cidade | Origem / Tema |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Feita Cedo | Rua de Cedofeita | Porto | Como uma igreja construída à pressa no século VI deu nome a uma das ruas mais vivas do Porto. |
| 2 | O Herói que Não Viu a República | Avenida Almirante Reis | Lisboa | O militar que mais fez pela revolução republicana não viu a República a nascer. |
| 3 | A voz que a Europa não esqueceu | Avenida Luísa Todi | Setúbal | A cantora lírica portuguesa que conquistou todas as cortes da Europa. |
| 4 | O Rei Que Parou para Descansar | Rua do Repouso | Faro | Uma visão de Nossa Senhora que ficou para sempre gravada no nome da rua. |
| 5 | A Rua da Sabedoria | Rua da Sofia | Coimbra | O coração universitário de Portugal. |
| 6 | O Poeta da Praça | Praça Rodrigues Lobo | Leiria | O "Cantor do Lis" e a praça sobre uma necrópole medieval que muitos desconhecem. |
| 7 | A Mulher que Fundou Portugal | Largo Condessa de Mumadona | Guimarães | Antes de Afonso Henriques, houve Mumadona, que fundou a cidade que originou um país. |
| 8 | Especial escolha do espectador | (arruamento escolhido pelo espectador) | (a confirmar) | (a confirmar) |
Nota para o último episódio especial, em que será o espectador a escolher o arruamento a desvendar, através de submissões de sugestões, potencialmente no decorrer da emissão do primeiro episódio. Este seria um método adequado de envolver o público alvo e, ao mesmo tempo, promover o programa.
06 — Candidatura RTP
A produção será organizada em três fases:
Pré-produção (4 meses): desenvolvimento de guiões, investigação histórica com consultoria especializada, scouting de locais, identificação e contacto com especialistas, casting do/a apresentador(a).
Rodagem (3 meses): rodagem dos 8 episódios em Portugal continental, com equipas ligeiras e flexíveis. Cada episódio requer 2–3 dias de rodagem (exterior + entrevistas + arquivo).
Pós-produção (3 meses): montagem, grafismo, colorização, banda sonora, legendagem. Entrega de todos os episódios para transmissão.
A produção contará com o apoio de instituições de referência para acesso a arquivo e consultoria histórica:
Arquivo Municipal de Lisboa (fotografias históricas, cartografia, documentação) · Biblioteca Nacional de Portugal (arquivo documental) · Museus e Arquivos locais · Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (consultoria histórica e linguística) · Câmara Municipal de Lisboa / EGEAC (apoio institucional e acesso a locais) · Hemeroteca Digital da Câmara Municipal de Lisboa · Comissões de Turismo Municipais e Regionais · Comissão Europeia: CulturEU.
A proposta do projeto De Pedra e Cal foi concebida com flexibilidade suficiente para se ajustar à escala de produção definida pela RTP.
O formato, a estrutura narrativa e o modelo de rodagem permitem adaptar o projeto ao valor de licenciamento atribuído, mantendo sempre a integridade editorial e a qualidade do conteúdo.
A equipa criativa e técnica está preparada para ajustar: número de dias de rodagem por episódio; dimensão da equipa técnica; volume de deslocações; complexidade do grafismo e pós-produção; utilização de arquivo versus captação original; número e tipo de especialistas envolvidos.
Esta adaptabilidade garante que De Pedra e Cal possa ser produzida de forma eficiente e sustentável, respeitando os parâmetros orçamentais definidos pela RTP, sem comprometer a identidade, o rigor histórico ou o impacto cultural do programa.
Valores indicativos, sujeitos a revisão em pré-produção.
| Rubrica | Custo / ep. | Total série (8 eps.) |
|---|---|---|
| Desenvolvimento e pré-produção (guião, investigação, consultoria) | — | 12.000 € |
| Rodagem (equipa técnica, equipamento, deslocações) | 6.000 € | 48.000 € |
| Arquivo e direitos de imagem | 800 € | 6.400 € |
| Pós-produção (montagem, grafismo, cor, som) | 2.500 € | 20.000 € |
| Banda sonora original | — | 4.000 € |
| Apresentador e cachets artísticos | 600 € | 4.800 € |
| Produção executiva e gestão de projeto | — | 8.000 € |
| Imprevistos | — | 8.320 € |
| TOTAL estimado | 111.520 € |
Distribuição interna do orçamento. Não inclui financiadores.
| Rubrica | Valor (€) | % |
|---|---|---|
| Desenvolvimento e pré-produção (guião, investigação, consultoria) | 12.000 € | 10,8% |
| Rodagem (equipa técnica, equipamento, deslocações) | 48.000 € | 43% |
| Arquivo e direitos de imagem | 6.400 € | 5,7% |
| Pós-produção (montagem, grafismo, cor, som) | 20.000 € | 18% |
| Banda sonora original | 4.000 € | 3,6% |
| Apresentador e cachets artísticos | 4.800 € | 4,3% |
| Produção executiva e gestão de projeto | 8.000 € | 7,1% |
| Imprevistos | 8.320 € | 7,4% |
| TOTAL estimado | 111.520 € | 100% |
08 — Candidatura RTP
O programa foi concebido para a RTP2 como canal primário, com distribuição simultânea no RTP Play para maximizar o alcance junto de públicos mais jovens e da diáspora portuguesa.
O formato tem ainda interesse para outros canais de língua portuguesa (RTP Internacional, TV Globo, SIC Internacional) e para plataformas como a ARTE (versão legendada em francês e alemão), dada a dimensão histórica e patrimonial do conteúdo.